Does Macroeconomics Travel? — Curso Macroeconomia comparada · Caso chinês · Lucas Rafael de Andrade
Curso interativo · 5 fases

A macroeconomia viaja?
Nove leis, um protocolo e o caso chinês

As “leis” do manual de macroeconomia — Okun, Phillips, a teoria quantitativa da moeda — foram medidas em economias de mercado. Elas valem na segunda maior economia do mundo, onde o Estado administra dois preços-chave? Este curso reconstrói, fase por fase, a investigação do manuscrito “Does Macroeconomics Travel?”, com simulações e gráficos interativos — e sem exigir qualquer background prévio.

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A ideia central, antes de qualquer fórmula

O que este curso argumenta e como ele está organizado

Boa parte do que os macroeconomistas “sabem” não são leis universais: são regularidades empíricas robustas, medidas quase todas em economias de mercado. Cada uma delas pressupõe, em silêncio, um conjunto de instituições: um mercado de trabalho que absorve choques de demanda via emprego, um investimento guiado por retornos privados, um sistema financeiro que precifica crédito. A tese do curso é que essas leis são teoremas com premissas institucionais — e que a China, que administra o preço do trabalho no curto prazo (via sistema de registro hukou e empregadoras estatais) e o preço do capital (via crédito dirigido), é o experimento natural que revela qual premissa cada teorema precisa.

O teste foi feito com um único protocolo, pré-especificado, aplicado a nove regularidades (L1–L8 e L10) num painel internacional de 39 economias. O resultado: as leis que dependem das duas margens administradas falham seletivamente; as de contabilidade de longo prazo dobram, mas não quebram. E, conforme a China se marketiza, as falhas encolhem nas margens — como a tese prevê.

Antes de começar

Qual é o seu palpite?

Antes de ver qualquer dado: o que você acha que acontece quando submetemos a China ao mesmo teste que o resto do mundo?

A A China quebra todas as leis — é outro mundo econômico
B A China cumpre todas as leis — só tem números mais ruidosos
C A China quebra algumas leis — exatamente as que dependem das margens que seu Estado administra
Esse é o argumento que as cinco fases vão construir — e testar de forma falseável. Repare no desenho do teste: direções de falha definidas antes de estimar, um grupo de comparação que valida o método, e a exigência de que o método classifique economias “normais” como normais.
Um dos extremos? A resposta que os dados sustentam é mais interessante que os dois: a China não é nem um outro mundo, nem uma economia comum barulhenta. As falhas existem, são grandes — e têm um padrão. Siga as fases.

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Mapa do curso: a investigação como ela aconteceu

Cada fase é uma página interativa — ciência como processo, não como resultado

Este não é um curso que apresenta uma conclusão pronta. Ele reconstroi o caminho: a pergunta e o protocolo, os dados, a primeira passada econométrica lei a lei, os testes de robustez contra a suspeita de dados ruins, e a síntese final — o índice de falha, a inferência por permutação e a tese institucional. Cada página traz o conteúdo necessário do zero (o que é uma regressão, um percentil, um valor-p), simuladores para brincar com os mecanismos, e questões rápidas para checar o entendimento.


ℝ

As nove leis testadas (e o veredito de cada uma)

Um mapa do território — sem medo de spoiler: o interesse está no porquê

A tabela abaixo resume o que cada lei afirma e o veredito final do protocolo. Ela é o fio condutor das Fases 3–5. A numeração pula o L9 de propósito: o multiplicador fiscal foi excluído antes de qualquer resultado, por um critério pré-fixado (não há identificação crível em dados anuais de painel) — um detalhe pequeno que mostra como o desenho disciplina a investigação.

Tabela

Nove regularidades, um veredito cada

LeiO que afirmaVeredito p/ China
L1 OkunCrescimento forte reduz o desemprego (β entre −0,15 e −0,60 no mundo)NÃO VALE — β=−0,006, o mais próximo de zero das 39 economias
L2 PhillipsDesemprego alto derruba a inflaçãoNÃO IDENTIFICÁVEL — fraca no mundo todo em dados anuais
L3 Teoria quantitativaNo longo prazo, moeda em excesso vira inflaçãoVALE MODIFICADA — na linha, com queda de velocidade (resíduo −4,7 p.p.)
L4 Comovimento C×IConsumo e investimento sobem e descem juntos no cicloNÃO VALE — corr −0,16; investimento acíclico
L5 Renda permanenteConsumo depende da renda esperada de vida, não da correnteREJEITADA COMO NO MUNDO — λ=1,04, caso extremo do padrão global
L6 Crédito→desaceleraçãoBooms de crédito antecedem crises e crescimento menorINCONCLUSIVO — 1 único cluster tratado
L7 WagnerO Estado cresce com a renda (elasticidade +0,24 a +0,27)VALE MODIFICADA — η=+0,08, com ressalva de medida
L8 ConvergênciaPaíses mais pobres crescem mais rápido (fracamente)VALE COMO NO MUNDO — China é outlier de resíduo (+6 p.p.), não de inclinação
L10 Parcela do trabalhoTendência de longo prazo da renda do trabalhoDEPENDE DA FONTE — PWT: típica; contas nacionais: queda forte
ⓘ Como ler os vereditos. “NÃO VALE” não é uma nota moral: é uma declaração estatística de que a relação canônica, estimada do mesmo jeito que no resto do mundo, não se reproduz na China — e de que essa posição é extrema na distribuição internacional. “NÃO IDENTIFICÁVEL” e “DEPENDE DA FONTE” são vereditos de honestidade: dizem que os dados não sustentam condenar ninguém.

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Para quem é este curso

Pré-requisitos: curiosidade. O resto se aprende no caminho
Público

Nenhum background em economia é exigido

O curso foi escrito para quem nunca viu macroeconomia ou econometria. As ferramentas estatísticas mínimas — correlação, regressão, $R^2$, percentil, valor-p — são introduzidas em cartões rápidos quando aparecem (Fase 1), e cada lei é explicada em linguagem corriqueira antes de qualquer equação. Os simuladores existem para que os mecanismos possam ser sentidos: arraste um controle e veja a lei morrer ou sobreviver.

  • ▶Estudantes de economia ou áreas quantitativas que queiram ver um projeto de pesquisa completo, do desenho à síntese.
  • ▶Pesquisadores de outras áreas interessados em China, métodos comparativos ou em como se faz inferência com “um país tratado”.
  • ▶Curiosos em geral: as simulações funcionam sozinhas, sem ler a teoria toda.
Fontes

Dados, código e o manuscrito

  • DadosWorld Development Indicators (Banco Mundial, API, vintage 2026-06-12) e Penn World Table 10.01. Todos públicos e gratuitos.
  • CódigoO pacote de replicação do projeto (download, construção do painel, um script por lei, randomização) regenera cada número, tabela e figura do zero.
  • TextoL. R. de Andrade, Does Macroeconomics Travel? A Systematic Test of Core Macroeconomic Regularities in China — preprint PRP-2026-000008. As 20 referências do manuscrito foram auditadas contra as fontes primárias.
  • NotaNas simulações, os dados são gerados artificialmente e calibrados com os parâmetros estimados no estudo; os números reais aparecem sempre destacados em painéis ao lado dos gráficos.