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Macroeconomia Avançada · Material de Apoio

Fundamentos Teóricos
da Lista II

Esta aula cobre os instrumentos que estão por baixo dos exercícios. A Parte I trata das ferramentas matemáticas: a desigualdade de Jensen e a técnica de log-linearização. A Parte II trata da teoria econômica: poupança precaucionária, a equação de Euler, o modelo RBC e as propriedades do modelo de Romer.

As duas partes são independentes. Se você já domina a matemática, vá direto à Parte II. Se a teoria estiver clara mas a mecânica das derivações for o problema, fique na Parte I.

Parte I

Ferramentas Matemáticas

Dois instrumentos que aparecem repetidamente na macro dinâmica: a desigualdade de Jensen e a técnica de log-linearização. Entender a mecânica torna os exercícios transparentes.

1

Desigualdade de Jensen

A desigualdade de Jensen é um dos resultados mais usados em teoria da decisão sob incerteza. Em uma linha: o valor esperado de uma função não-linear de uma variável aleatória não é igual à função aplicada ao valor esperado. A direção da desigualdade depende da curvatura da função.

Teorema de Jensen

Seja $f$ uma função mensurável e $X$ uma variável aleatória. Então:

$$f \text{ convexa} \;\Rightarrow\; \mathbb{E}[f(X)] \;\geq\; f(\mathbb{E}[X])$$
$$f \text{ côncava} \;\Rightarrow\; \mathbb{E}[f(X)] \;\leq\; f(\mathbb{E}[X])$$

A igualdade vale quando $f$ é linear, ou quando $X$ é constante (sem aleatoriedade).

Intuição geométrica

Para uma função convexa: a corda entre quaisquer dois pontos fica acima da curva. O valor esperado $\mathbb{E}[f(X)]$ é a média dos valores na curva, que corresponde a um ponto na corda. A função avaliada na média, $f(\mathbb{E}[X])$, é um ponto na curva. Como a corda fica acima da curva, a esperança da função supera a função da esperança.

r g E[g(r)] g(E[r]) gap de Jensen r₁ E[r] r₂ função g(r) (convexa) corda entre g(r₁) e g(r₂)

Para $g$ convexa: a corda entre dois pontos fica acima da curva. O valor esperado de $g(r)$ (ponto verde na corda) supera $g$ do valor esperado de $r$ (ponto laranja na curva).

O critério prático para saber se uma função é convexa é verificar o sinal da segunda derivada:

Critério da segunda derivada

$f''(x) \geq 0$ para todo $x$ no domínio $\Leftrightarrow$ $f$ é convexa.
$f''(x) \leq 0$ para todo $x$ no domínio $\Leftrightarrow$ $f$ é côncava.

Exemplos relevantes para os exercícios desta lista:

Função$f''(x)$CurvaturaJensen
$f(x) = \ln x$ $-1/x^2 < 0$ côncava $\mathbb{E}[\ln X] \leq \ln \mathbb{E}[X]$
$f(x) = 1/x$ $2/x^3 > 0$ convexa $\mathbb{E}[1/X] \geq 1/\mathbb{E}[X]$
$f(x) = e^x$ $e^x > 0$ convexa $\mathbb{E}[e^X] \geq e^{\mathbb{E}[X]}$
$f(x) = x^2$ $2 > 0$ convexa $\mathbb{E}[X^2] \geq (\mathbb{E}[X])^2$ (variância $\geq 0$)
→ Q1 Na questão Q1, a função relevante é $\varphi(r) = (1+r)/[Y_2-(1+r)C_1]$. Calculando $\varphi''(r) = 2Y_2 C_1/[Y_2-(1+r)C_1]^3 > 0$: convexa. Portanto $\mathbb{E}[\varphi(r)] > \varphi(\mathbb{E}[r])$, o que gera o efeito de poupança precaucionária.
Para fixar

Certeza equivalência (ou seja, $\mathbb{E}[f(X)] = f(\mathbb{E}[X])$) só vale quando $f$ é linear. Funções de utilidade são não-lineares por construção. Quando a função objetivo do agente é não-linear numa variável estocástica, o valor esperado da variável não resume tudo o que o agente precisa saber. A variância importa, e a direção do efeito é dada pelo sinal de $f''$.

2

Log-Linearização: Fundamentos

Modelos macroeconômicos dinâmicos são sistemas de equações não-lineares. As condições de ótimo (Euler, intratemporal, restrição de recursos) envolvem produtos, razões e potências de variáveis endógenas. Esses sistemas raramente têm solução analítica.

A log-linearização transforma esse sistema num sistema linear em desvios percentuais logarítmicos em relação a uma trajetória de referência. Um sistema linear pode ser resolvido com álgebra, não com análise de equações diferenciais não-lineares.

O custo: a approximação é local. Ela é boa perto da trajetória de referência e se deteriora quanto mais longe dela o sistema se afasta.

Por que logaritmos especificamente?

Porque as equações macroeconômicas são frequentemente multiplicativas: Cobb-Douglas ($Y = AK^\alpha N^{1-\alpha}$), condição de Euler ($c_t = \beta(1+r)c_{t+1}$), balança de pagamentos. Tomar logaritmos transforma produtos em somas, razões em diferenças, e potências em múltiplos. Isso converte relações não-lineares multiplicativas em relações lineares.

A substituição fundamental. Para qualquer variável positiva $X_t$ que cresce ao longo de uma trajetória $\bar{X}_t$, define-se o desvio logarítmico:

$$\tilde{X}_t \;\equiv\; \ln X_t - \ln \bar{X}_t \;=\; \ln\!\left(\frac{X_t}{\bar{X}_t}\right)$$

Portanto $X_t = \bar{X}_t\,e^{\tilde{X}_t}$. Para desvios pequenos ($|\tilde{X}_t| \ll 1$), usa-se a aproximação de primeira ordem:

$$e^{\tilde{X}_t} \approx 1 + \tilde{X}_t \quad\Longrightarrow\quad X_t \approx \bar{X}_t(1 + \tilde{X}_t)$$

Esta é a aproximação de Taylor de primeira ordem de $e^x$ em torno de $x=0$. O erro é de ordem $\tilde{X}_t^2$, que é pequeno quando o desvio é pequeno.

Procedimento padrão

1. Substitua $X_t = \bar{X}_t(1+\tilde{X}_t)$ em cada variável da equação.

2. Expanda o produto. Descarte termos de segunda ordem (produtos de dois $\tilde{X}$).

3. Use o fato de que a trajetória de referência $\bar{X}_t$ satisfaz a mesma equação. Isso cancela os termos de nível e deixa só os termos em $\tilde{X}$.

4. Para termos não-multiplicativos como $\ln(1-n_t)$, use uma expansão de Taylor em torno de $\bar{n}$.

Exemplo mínimo: $Z_t = X_t \cdot Y_t$

Substituindo:

$$\bar{Z}(1+\tilde{Z}_t) = \bar{X}(1+\tilde{X}_t)\cdot\bar{Y}(1+\tilde{Y}_t) = \bar{X}\bar{Y}\bigl(1+\tilde{X}_t+\tilde{Y}_t+\underbrace{\tilde{X}_t\tilde{Y}_t}_{\approx\,0}\bigr)$$

Como $\bar{Z} = \bar{X}\bar{Y}$ na trajetória de referência, cancelamos e obtemos: $\tilde{Z}_t = \tilde{X}_t + \tilde{Y}_t$. Produto vira soma nos desvios logarítmicos.

Para fixar

Log-linearizar não é simplesmente "tomar logaritmo da equação". É uma expansão de Taylor de primeira ordem em torno da trajetória de referência, expressa em desvios percentuais. O resultado é um sistema linear cujos coeficientes são os parâmetros do modelo avaliados no estado estacionário (ou na BGP).

3

Regras Práticas de Log-Linearização

As cinco regras abaixo cobrem virtualmente todas as situações que aparecem em modelos macroeconômicos padrão. As três primeiras seguem diretamente das propriedades do logaritmo. A quarta (somas) é onde mais se erra. A quinta (expressões $(1-X)$) aparece sempre que há trabalho e lazer.

Expressão originalLog-linearizada
R1 $Z_t = X_t \cdot Y_t$ $\tilde{Z}_t = \tilde{X}_t + \tilde{Y}_t$
R2 $Z_t = X_t / Y_t$ $\tilde{Z}_t = \tilde{X}_t - \tilde{Y}_t$
R3 $Z_t = X_t^\alpha$ $\tilde{Z}_t = \alpha\,\tilde{X}_t$
R4 $Z_t = a\,X_t + b\,Y_t$ $\tilde{Z}_t = s_X\,\tilde{X}_t + s_Y\,\tilde{Y}_t$
onde $s_X = a\bar{X}/\bar{Z}$, $s_Y = b\bar{Y}/\bar{Z}$ (shares de SS)
R5 $Z_t = 1 - X_t$ $\tilde{Z}_t = -\dfrac{\bar{X}}{1-\bar{X}}\,\tilde{X}_t$

Derivação da Regra R4 (somas). Este é o caso mais trabalhoso. Defina $\bar{s}_X \equiv a\bar{X}/\bar{Z}$ e $\bar{s}_Y \equiv b\bar{Y}/\bar{Z}$. Note que $\bar{s}_X + \bar{s}_Y = 1$.

Substituir $X_t = \bar{X}(1+\tilde{X}_t)$ e $Y_t = \bar{Y}(1+\tilde{Y}_t)$ em $Z_t = aX_t + bY_t$:

$$\bar{Z}(1+\tilde{Z}_t) \;=\; a\bar{X}(1+\tilde{X}_t) + b\bar{Y}(1+\tilde{Y}_t)$$

Expandindo e usando $\bar{Z} = a\bar{X}+b\bar{Y}$ do SS (os termos de nível se cancelam):

$$\bar{Z}\,\tilde{Z}_t \;=\; a\bar{X}\,\tilde{X}_t + b\bar{Y}\,\tilde{Y}_t$$

Dividir por $\bar{Z}$ e definir $s_X \equiv a\bar{X}/\bar{Z}$, $s_Y \equiv b\bar{Y}/\bar{Z}$:

$$\tilde{Z}_t \;=\; s_X\,\tilde{X}_t + s_Y\,\tilde{Y}_t$$

Derivação da Regra R5 (complemento). Aparece em $\ln(1-n_t)$, que não é um produto ou potência.

Expandir $\ln(1-n_t)$ em torno de $\bar{n}$ via Taylor de primeira ordem:

$$\ln(1-n_t) \;\approx\; \ln(1-\bar{n}) + \frac{d}{dn}\bigl[\ln(1-n)\bigr]\Big|_{n=\bar{n}}\!\cdot(n_t-\bar{n})$$
$$= \ln(1-\bar{n}) \;-\; \frac{1}{1-\bar{n}}\,(n_t-\bar{n})$$

Como $n_t - \bar{n} \approx \bar{n}\,\tilde{n}_t$ para desvios em log, substituir:

$$\ln(1-n_t) \;\approx\; \ln(1-\bar{n}) \;-\; \frac{\bar{n}}{1-\bar{n}}\,\tilde{n}_t$$

Subtrair o valor de SS para obter o desvio logarítmico de $(1-n_t)$:

$$\widetilde{(1-n_t)} \;\equiv\; \ln(1-n_t)-\ln(1-\bar{n}) \;\approx\; -\frac{\bar{n}}{1-\bar{n}}\,\tilde{n}_t$$
Aplicação combinada: Cobb-Douglas

Para $Y_t = A_t K_t^\alpha (\eta N_t)^{1-\alpha}$, aplicando R1, R2, R3:

$$\tilde{Y}_t = \tilde{A}_t + \alpha\,\tilde{K}_t + (1-\alpha)\,\tilde{N}_t + (1-\alpha)\,\tilde{\eta}_t$$

Se $N_t$ cresce deterministicamente (sem desvio: $\tilde{N}_t=0$) e $\eta_t$ é constante ($\tilde{\eta}_t=0$):

$$\tilde{Y}_t = \tilde{A}_t + \alpha\,\tilde{K}_t$$

Este é o resultado que aparece implicitamente na prova da Q8.

→ Q2–Q5 Q2 usa R4 (identidade nacional é uma soma). Q3 e Q4 usam R2 (razões) e o logaritmo direto de ambos os lados. Q5 combina R1, R2 e R5 (o lazer $1-n_t$ exige R5).
3b

Aproximações de Primeira Ordem: catálogo e acurácia

Log-linearizar requer usar repetidamente quatro ou cinco aproximações de primeira ordem. Elas não são "truques" — são truncamentos da série de Taylor em torno de um ponto de referência. Saber de onde vêm permite julgar quando são válidas e quando o erro já é relevante.

Todas valem para desvios pequenos do ponto de referência; o erro residual é de ordem quadrática nesse desvio.

#AproximaçãoOrigemErro residual
A1 $e^x \approx 1+x$ Taylor de $e^x$ em $x=0$ $+x^2/2 + O(x^3)$
A2 $\ln(1+x) \approx x$ Taylor de $\ln(1+x)$ em $x=0$ $-x^2/2 + O(x^3)$
A3 $(1+a)(1+b) \approx 1+a+b$ Descarta o produto $ab$ (segunda ordem) $ab$
A4 $(1+x)^\alpha \approx 1+\alpha x$ A1 $\circ$ A2 via $e^{\alpha\ln(1+x)}$ $\alpha(\alpha-1)x^2/2$
A5 $\ln\mathbb{E}[X] \approx \mathbb{E}[\ln X]$ Taylor de $\ln X$ em torno de $\mathbb{E}[X]$ $+\tfrac{1}{2}\sigma^2_{\text{rel}}$ (gap de Jensen)

Derivação de A1, A2, A3 e A4. A série de Taylor de $e^x$ em torno de $x=0$ é a mais fundamental; as demais derivam dela por composição.

A1 — Taylor de $e^x$:

$$e^x = 1 + x + \frac{x^2}{2!} + \frac{x^3}{3!} + \cdots \;\;\approx\;\; 1+x \quad\text{(descarta } x^2/2 \text{ e superiores)}$$

A2 — consequência direta: se $y = 1+x$ (com $x$ pequeno), então $e^{\ln y}=y$. Aplicar A1 a $\ln y$:

$$y \approx 1+\ln y \;\;\Rightarrow\;\; \ln y \approx y-1 \;\;\Rightarrow\;\; \ln(1+x) \approx x$$

A3 — produto de dois desvios: $(1+a)(1+b) = 1+a+b+\underbrace{ab}_{\text{segunda ordem}} \approx 1+a+b$.

A4 — composição A1$\circ$A2: $(1+x)^\alpha = e^{\alpha\ln(1+x)} \overset{A2}{\approx} e^{\alpha x} \overset{A1}{\approx} 1+\alpha x$. (Regra R3 da seção anterior usa isso implicitamente.)

Derivação de A5. Esta é a mais delicada: permite mover o logaritmo para dentro do operador de esperança. Escreva $X = \mu(1+\varepsilon)$ com $\mu = \mathbb{E}[X]$ e $\mathbb{E}[\varepsilon]=0$. Expanda $\ln X$ em série de Taylor de segunda ordem em torno de $\mu$:

Taylor de $\ln X$ em torno de $\mu = \mathbb{E}[X]$:

$$\ln X \;\approx\; \ln\mu + \frac{X-\mu}{\mu} - \frac{(X-\mu)^2}{2\mu^2}$$

Tomar expectativa. O termo linear desaparece ($\mathbb{E}[X-\mu]=0$):

$$\mathbb{E}[\ln X] \;\approx\; \ln\mu - \frac{\mathbb{E}[(X-\mu)^2]}{2\mu^2} = \ln\mathbb{E}[X] - \frac{1}{2}\sigma^2_{\text{rel}}$$

Rearranjar:

$$\ln\mathbb{E}[X] \;\approx\; \mathbb{E}[\ln X] + \frac{1}{2}\sigma^2_{\text{rel}} \qquad \text{onde} \quad \sigma^2_{\text{rel}} \equiv \frac{\text{Var}(X)}{(\mathbb{E}[X])^2}$$

A primeira ordem descarta $\sigma^2_{\text{rel}}$: $\ln\mathbb{E}[X] \approx \mathbb{E}[\ln X]$. O gap $+\frac{1}{2}\sigma^2_{\text{rel}} > 0$ é o gap de Jensen para $\ln$ côncava: $\ln\mathbb{E}[X] \geq \mathbb{E}[\ln X]$ é exato, e a aproximação é boa quando a variância relativa é pequena.

Quando A5 aparece no curso

Na log-linearização da equação de Euler (Q3), o passo crítico é $\ln\mathbb{E}_t\!\left[\tfrac{1+r_{t+1}}{c_{t+1}}\right] \approx \mathbb{E}_t\!\left[\ln\tfrac{1+r_{t+1}}{c_{t+1}}\right]$. A justificativa é que os desvios cíclicos são percentualmente pequenos ($\sigma^2_{\text{rel}} \approx 0$ na perturbação de primeira ordem). Em modelos de segunda ordem, o termo $\tfrac{1}{2}\sigma^2_{\text{rel}}$ gera um prêmio de risco na Euler — um tema central em macro-finanças que a log-linearização padrão não captura.

Acurácia numérica de A1 e A2. Desvios de 1–5% (típicos de flutuações macroeconômicas) geram erros abaixo de 0.12% para A1 e abaixo de 2.5% para A2. Desvios de 20–30% (ordens de grandeza de crises severas) já implicam erros relevantes.

$x$ $e^x$ exato$1+x$ (A1)erro A1 $\ln(1{+}x)$ exato$x$ (A2)erro A2
0.011.010051.010000.005%0.009950.010000.50%
0.021.020201.020000.020%0.019800.020001.01%
0.051.051271.050000.121%0.048790.050002.45%
0.101.105171.100000.469%0.095310.100004.88%
0.201.221401.200001.783%0.182320.200009.69%
0.301.349861.300003.693%0.262360.3000014.4%
Regra prática

Para $|x| \leq 0.05$: A1 tem erro abaixo de 0.12%, A2 abaixo de 2.5% — suficiente para calibração padrão. Para $|x| \leq 0.10$: A1 ainda razoável (0.5%), A2 já com 5%. Acima de 15–20%, a log-linearização pode distorcer conclusões quantitativas, e métodos de perturbação de segunda ordem ou soluções numéricas completas passam a ser necessários.

3c

Exercícios de Fixação · Parte I

Cinco exercícios para consolidar as regras R1–R5 e as aproximações A1–A5. Os três primeiros são mecânicos. Os dois últimos exigem combinar mais de uma regra ou lidar com a aproximação A5 numericamente.

E1 · Acurácia numérica de A1

Para cada valor de $x$ abaixo, calcule $e^x$ (exato) e compare com $1+x$ (A1). Compute o erro percentual relativo $|e^x-(1+x)|/e^x \times 100\%$.

$$x \;\in\; \{0.02,\; 0.10,\; 0.25,\; -0.05\}$$

Acima de qual valor de $|x|$ o erro de A1 ultrapassa 1%?

Solução
$x$$e^x$ exato$1+x$erro
0.021.020201.020000.020%
0.101.105171.100000.469%
0.251.284031.250002.72%
−0.050.951230.950000.129%

A1 ultrapassa 1% para $|x| \gtrsim 0.14$. Note que o erro é simétrico: A1 subestima $e^x$ para $x>0$ e superestima $|e^x|$ para $x<0$, sempre pela mesma ordem $x^2/2$.

E2 · Cobb-Douglas (R1 + R3)

Log-linearize $Y_t = A_t K_t^\alpha$ onde $A_t$ é um choque de tecnologia e $K_t$ é o capital. Expresse $\tilde{Y}_t$ em função de $\tilde{A}_t$ e $\tilde{K}_t$.

Solução

Aplicar R1 ao produto $A_t \cdot K_t^\alpha$ e R3 à potência $K_t^\alpha$:

$$\tilde{Y}_t = \widetilde{A_t K_t^\alpha} \overset{R1}{=} \tilde{A}_t + \widetilde{K_t^\alpha} \overset{R3}{=} \tilde{A}_t + \alpha\tilde{K}_t$$

$\tilde{Y}_t = \tilde{A}_t + \alpha\tilde{K}_t$. Um choque de 1% em $A$ eleva $Y$ em 1%; um choque de 1% em $K$ eleva $Y$ em $\alpha \approx 0.33\%$ (participação do capital na renda).

E3 · Restrição de recursos (R4, soma com sinal negativo)

Log-linearize a restrição de acumulação de capital $K_{t+1} = Y_t - C_t$ (depreciação 100%). Exprima $\tilde{K}_{t+1}$ em função de $\tilde{Y}_t$ e $\tilde{C}_t$. Defina a taxa de poupança de estado estacionário $\hat{s} \equiv \bar{K}/\bar{Y}$.

Solução

Substituir $K_{t+1} = \bar{K}(1+\tilde{K}_{t+1})$ etc.:

$$\bar{K}(1+\tilde{K}_{t+1}) = \bar{Y}(1+\tilde{Y}_t) - \bar{C}(1+\tilde{C}_t)$$

Usar SS $\bar{K} = \bar{Y}-\bar{C}$ para cancelar os termos de nível:

$$\bar{K}\,\tilde{K}_{t+1} = \bar{Y}\,\tilde{Y}_t - \bar{C}\,\tilde{C}_t$$

Dividir por $\bar{K}$ e usar $\hat{s}=\bar{K}/\bar{Y}$, $\bar{C}/\bar{K} = (1-\hat{s})/\hat{s}$:

$$\hat{s}\,\tilde{K}_{t+1} = \tilde{Y}_t - (1-\hat{s})\,\tilde{C}_t$$

Notar que os pesos das variáveis do lado direito são os shares de estado estacionário (análogo ao resultado de R4). Em particular: se $\hat{s}=\alpha\beta=0.33$ (Romer simplificado), $1-\hat{s}=0.67$.

E4 · Lazer (R5)

Log-linearize $\ell_t = 1-n_t$ onde $n_t \in (0,1)$ é a fração de tempo trabalhada e $\ell_t$ é o lazer. Exprima $\tilde{\ell}_t$ em função de $\tilde{n}_t$. Para a calibração padrão $\bar{n}=1/3$, qual é o valor numérico do coeficiente?

Solução

Aplicar R5 diretamente com $\bar{X} = \bar{n}$, $1-\bar{X} = 1-\bar{n} = \bar{\ell}$:

$$\tilde{\ell}_t = -\frac{\bar{n}}{1-\bar{n}}\,\tilde{n}_t$$

Para $\bar{n}=1/3$: coeficiente $= (1/3)/(2/3) = 1/2$. Logo $\tilde{\ell}_t = -\tfrac{1}{2}\tilde{n}_t$.

Intuição: se o trabalho sobe 1% acima da tendência (de $33\%$ para $33.33\%$ do tempo), o lazer cai $0.5\%$ acima da tendência (de $67\%$ para $66.67\%$). A assimetria do coeficiente vem do fato de que o ponto de referência para o lazer ($\bar{\ell}=2/3$) é maior que o do trabalho ($\bar{n}=1/3$).

E5 · Verificação numérica de A5

Suponha que $r_t$ assuma os valores $0\%$ ou $10\%$ com igual probabilidade (logo $\mathbb{E}[r_t]=5\%$, $\text{Var}(r_t)=0.0025$).

(a) Calcule $\ln\mathbb{E}[1+r_t]$.    (b) Calcule $\mathbb{E}[\ln(1+r_t)]$.    (c) Compute a diferença $(a)-(b)$ e verifique se ela é coerente com $\tfrac{1}{2}\sigma^2_{\text{rel}}$, onde $\sigma^2_{\text{rel}} = \text{Var}(1+r_t)/(\mathbb{E}[1+r_t])^2$.    (d) O que acontece com a diferença se o spread for $20\text{p.p.}$ em vez de $10\text{p.p.}$ (mantendo a média)?

Solução

Dados: $1+r_t \in \{1.00,\;1.10\}$ com prob $1/2$ cada. $\mathbb{E}[1+r_t]=1.05$, $\text{Var}(1+r_t)=0.0025$.

(a) $\ln\mathbb{E}[1+r_t] = \ln 1.05 = 0.04879$

(b) $\mathbb{E}[\ln(1+r_t)] = \tfrac{1}{2}(\ln 1.00 + \ln 1.10) = \tfrac{1}{2}(0 + 0.09531) = 0.04766$

(c) Gap $= 0.04879 - 0.04766 = 0.00113$. Previsto: $\tfrac{1}{2}\sigma^2_{\text{rel}} = \tfrac{1}{2}\times 0.0025/(1.05)^2 = \tfrac{1}{2}\times 0.00227 = 0.00113$ ✓

$$\text{(d) Spread de 20p.p.:} \quad 1+r_t \in \{1.00, 1.20\},\;\mathbb{E}=1.10,\;\text{Var}=0.01$$

Gap exato: $\ln 1.10 - \tfrac{1}{2}(\ln 1.00+\ln 1.20) = 0.09531 - 0.09116 = 0.00415$. Previsto: $\tfrac{1}{2}\times 0.01/(1.10)^2 = 0.00413$ ✓

Quando o spread dobra (de 10 para 20p.p.), a diferença quadruplica (de $0.00113$ para $0.00415$). Isso reflete o caráter de segunda ordem do gap: ele cresce com $\sigma^2$, não com $\sigma$.

→ Q3 E5 é a versão numérica do passo central na log-linearização da Euler. A diferença entre $\ln\mathbb{E}[X]$ e $\mathbb{E}[\ln X]$ é pequena quando os desvios cíclicos são pequenos — justamente a hipótese implícita na perturbação de primeira ordem.

Parte II

Teoria Econômica

O que está por trás dos modelos. Cada seção explica um mecanismo econômico e conecta ao exercício correspondente na lista.

4

Poupança Precaucionária

Por que um indivíduo poupar mais do que o necessário para suavizar o consumo? A hipótese de renda permanente diz que, sob certeza ou com mercados completos, o agente usa toda a informação disponível para suavizar o consumo ao longo da vida. A poupança serve apenas para transferir recursos entre períodos, não como seguro.

Mas quando há incerteza que não pode ser segurada, surge um motivo adicional para poupar: a precaução. O agente acumula um "colchão" de ativos para se proteger contra estados futuros adversos. Esse mecanismo tem nome na literatura: poupança precaucionária.

Certeza equivalência e quando ela falha

A certeza equivalência é a propriedade de que um agente age como se os valores aleatórios fossem iguais às suas médias. Ela vale exatamente quando a função objetivo é quadrática (linear nas utilidades marginais). Para uma função de utilidade com curvatura maior, a certeza equivalência falha.

Formalmente: certeza equivalência vale $\Leftrightarrow$ $u'''(c) = 0$. Com utilidade log, $u'''(c) = 2/c^3 > 0$. Portanto, a log falha a certeza equivalência na direção da prudência.

O papel da terceira derivada. Kimball (1990) mostrou que a grandeza relevante para a poupança precaucionária é o coeficiente de prudência absoluta: $-u'''(c)/u''(c)$. Para a utilidade log, $u'' = -1/c^2$ e $u''' = 2/c^3$, dando prudência absoluta $= 2/c > 0$.

Mais prudência implica mais poupança precaucionária em resposta à incerteza. O resultado não depende de qual é a fonte de incerteza: pode ser a taxa de juros (como em Q1), a renda futura, ou a duração da vida.

Condição necessária e suficiente para poupança precaucionária

Um aumento na incerteza sobre qualquer variável aleatória que afeta o consumo futuro reduz o consumo presente (aumenta a poupança) se e somente se a função de utilidade tiver $u''' > 0$. Para $u = \ln c$, essa condição é satisfeita. Para utilidade quadrática ($u'' = $ cte, $u''' = 0$), a poupança não responde à incerteza.

Conexão com Jensen. A equação de Euler com taxa de juros estocástica é $1/C_1 = \mathbb{E}[(1+r)/C_2]$. O lado direito é a esperança de $\varphi(r) = (1+r)/[Y_2-(1+r)C_1]$, que é convexa em $r$. Por Jensen: $\mathbb{E}[\varphi(r)] > \varphi(\mathbb{E}[r])$. Isso força $C_1$ para baixo quando a variância de $r$ aumenta — mesmo que a média não mude.

→ Q1 Q1 formaliza exatamente esse mecanismo. Mas atenção ao contexto de 2008: o mecanismo dominante não era incerteza sobre $r$, mas sobre renda futura (risco de desemprego, desvalorização de ativos). Para isso, precisaríamos de um modelo com renda estocástica e mercados incompletos.
5

Trajetória de Crescimento Equilibrado e a Equação de Euler

O que é a BGP. Uma trajetória de crescimento equilibrado (Balanced Growth Path, BGP) é uma solução particular do modelo em que as variáveis crescem a taxas constantes. Em modelos neoclássicos com crescimento exógeno de tecnologia, a BGP tem: produto, consumo e capital crescendo à mesma taxa $g$; horas trabalhadas constantes; taxa de juros real constante.

A BGP é o ponto de referência para a log-linearização. Quando escrevemos $\tilde{X}_t = \ln X_t - \ln \bar{X}_t$, a barra denota o valor de $X$ sobre a BGP no período $t$. Os desvios $\tilde{X}_t$ medem o quanto a variável se afasta temporariamente de sua trajetória tendencial.

Por que não expandir em torno do estado estacionário em nível?

Em modelos com crescimento ($g > 0$), as variáveis nunca param de crescer. Não há nível fixo em torno do qual expandir. A saída é trabalhar com variáveis normalizadas (por exemplo, em per capita ou per effective worker), que si têm estado estacionário. A log-linearização então mede desvios em relação ao estado estacionário dessas variáveis normalizadas, o que é equivalente a medir desvios em relação à BGP para as variáveis em nível.

A equação de Euler. A Euler é a condição de ótimo intertemporal do consumidor. Ela diz: no ótimo, o consumidor é indiferente entre consumir uma unidade a mais hoje ou poupar, investir e consumir o retorno amanhã. Com utilidade log $u(c) = \ln c$:

$$\frac{1}{c_t} = \beta\,\mathbb{E}_t\!\left[\frac{1+r_{t+1}}{c_{t+1}}\right]$$

Esta equação rege como o consumo evolui ao longo do tempo. Log-linearizada (ver Q3), ela vira:

$$\tilde{c}_t = \mathbb{E}_t[\tilde{c}_{t+1}] - \mathbb{E}_t[\tilde{r}_{t+1}]$$

Leitura: o consumo hoje fica abaixo do consumo esperado amanhã quando a taxa de retorno esperada está alta. O coeficiente é 1 porque a EIS (elasticidade intertemporal de substituição) é 1 para a log-utilidade. Para CRRA com parâmetro $\sigma$, a EIS é $1/\sigma$ e o coeficiente seria $1/\sigma$.

A EIS e o debate empírico

A elasticidade intertemporal de substituição mede quanto o consumidor está disposto a alterar o perfil temporal do consumo em resposta a mudanças na taxa de juros. Estimativas vão de 0.1 a 2 dependendo do método e da amostra. EIS baixa: taxa de juros move pouco o consumo; política monetária tem efeito real limitado via canal intertemporal. EIS alta: política monetária mais poderosa. O consenso atual da literatura empírica sugere EIS entre 0.3 e 0.7, abaixo do valor 1 implícito na log-utilidade.

→ Q3 Q3 pede a log-linearização desta Euler. O resultado $\tilde{c}_t = \mathbb{E}_t[\tilde{c}_{t+1}] - \mathbb{E}_t[\tilde{r}_{t+1}]$ é a equação de movimento do consumo no modelo linearizado. O coeficiente de 1 na frente de $\tilde{r}$ é diretamente a EIS do modelo com log-utilidade.
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O Modelo RBC: Mecanismo e Limites

Um modelo RBC (Real Business Cycle) é uma extensão do modelo neoclássico de crescimento para incorporar flutuações. Os ingredientes básicos: famílias que maximizam utilidade intertemporal, firmas que maximizam lucro, mercados competitivos que limpam em todo período, e choques exógenos de produtividade.

O mecanismo de propagação de um choque positivo de TFP

1. Impacto imediato: $A_t$ sobe $\Rightarrow$ $Y_t = A_t K_t^\alpha (\eta N_t)^{1-\alpha}$ sobe para qualquer nível de trabalho e capital dados.

2. Mercado de trabalho: o salário real $w_t = (1-\alpha)Y_t/(\eta N_t)$ sobe. Trabalhadores respondem trabalhando mais (efeito substituição intertemporal do trabalho domina o efeito renda quando a persistência do choque é alta).

3. Mercado de capital: o retorno ao capital sobe, induzindo mais poupança e mais investimento. Via Euler, o consumo sobe gradualmente ao longo do tempo.

4. Persistência: se $A_t$ segue um AR(1) com $\rho$ alto, o choque persiste. Capital acumulado hoje alimenta produto amanhã, criando dinâmica de ciclo que parece com os dados.

O que o modelo reproduce bem e o que ele não reproduce.

DimensãoDados EUAModelo RBCAvaliação
$\sigma_I/\sigma_Y$ ≈ 3.15 ≈ 3.28 bom
$\sigma_C/\sigma_Y$ ≈ 0.72 ≈ 0.32 subestima
$\sigma_H/\sigma_Y$ ≈ 1.09 ≈ 0.38 falha grave
Persistência do ciclo alta alta (via $\rho_A$) adequado
Efeitos reais da moeda evidentes inexistentes falha estrutural

Por que as horas trabalhadas falham tanto. No modelo RBC, os trabalhadores ajustam as horas em resposta a variações no salário real ao longo do tempo (substituição intertemporal). Mas evidências microeconômicas mostram que a elasticidade intertemporal do trabalho no nível individual é baixa: as pessoas não trabalham muito mais quando o salário sobe temporariamente. O modelo precisa de uma elasticidade alta para reproduzir a volatilidade das horas, mas os dados individuais não suportam isso.

A extensão de Hansen (1985) com trabalho indivisível (ou-trabalha-ou-não-trabalha) resolve parcialmente o problema, gerando elasticidade agregada alta mesmo com elasticidade individual baixa. Mas isso requer um mercado de seguros implícito que é difícil de justificar.

→ Q6, Q7 Q6 pede a descrição e o posicionamento histórico do modelo. Q7 pede avaliação empírica e o debate sobre calibração. Para Q7: a calibração fixa os parâmetros com base em evidências externas ao modelo; a vantagem é usar toda a informação disponível, o custo é a ausência de teste formal.
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O Modelo de Romer: Por que as Propriedades Surgem

O modelo simplificado do Romer (capítulo 4, sem governo, com depreciação de 100% e utilidade log) tem duas propriedades notáveis: a oferta de trabalho $\eta$ e a taxa de poupança $\hat{s}$ são constantes, independentes de qualquer choque de tecnologia. Essas propriedades não são hipóteses — são conclusões das equações do modelo. Entender de onde vêm é o objetivo das provas de Q8 e Q9.

Por que $\eta$ é constante: a intuição

A condição intratemporal iguala a desutilidade marginal do trabalho ao salário real. Quando a tecnologia melhora ($A_t$ sobe), tanto o salário ($w_t \propto Y_t/N_t$) quanto o consumo per capita ($c_t \propto Y_t/N_t$) sobem na mesma proporção. Na condição intratemporal $bc_t/(1-\eta_t) = w_t$, tanto o numerador quanto o denominador do lado esquerdo sobem e descem junto com $Y_t/N_t$. O termo $Y_t/N_t$ cancela dos dois lados. O que determina $\eta$ são apenas os parâmetros estruturais do modelo.

Por que $\hat{s}$ é constante: a intuição

Com log-utilidade e depreciação de 100%, a equação de Euler implica que a decisão ótima é sempre poupar uma fração constante da renda. A intuição é que a log-utilidade tem a propriedade de que os efeitos renda e substituição se cancelam precisamente: quando a taxa de retorno sobe (o que encoraja poupar mais), a riqueza também sobe (o que permite consumir mais). Os dois efeitos se anulam, e a fração poupada permanece $\hat{s} = \alpha\beta$.

A depreciação de 100% é necessária porque ela garante que o problema seja estacionário período a período: o capital do período anterior não carreia riqueza de forma assimétrica para o presente.

O que quebra essas propriedades. As constâncias dependem de hipóteses específicas. Cada uma que for relaxada muda o resultado:

MudançaEfeito sobre $\eta$Efeito sobre $\hat{s}$
Utilidade CRRA com $\sigma \neq 1$ no consumo pode ainda ser constante $\hat{s}$ varia com o ciclo
Depreciação $\delta < 1$ constante (mantém) $\hat{s}$ não tem forma fechada
Utilidade não-separável em $c$ e $\ell$ depende de $A_t$ depende da forma
Mercados incompletos (Aiyagari) distribuição importa varia com incerteza agregada

O custo das hipóteses. A constância da taxa de poupança é, ao mesmo tempo, o que torna o modelo elegante e analiticamente tratável, e o que o impede de gerar comportamento realista em episódios de crise. Quando a incerteza aumenta drasticamente, como em 2008, os agentes devem poder aumentar a poupança como resposta precaucionária. Um modelo com taxa de poupança constante, por construção, não consegue gerar isso.

A solução da literatura é usar modelos com heterogeneidade de agentes e mercados incompletos (Aiyagari 1994, Krusell-Smith 1998), onde a distribuição da riqueza entre os agentes varia com o ciclo e a taxa de poupança agregada responde à incerteza. O custo: esses modelos não têm solução analítica; dependem de simulações numéricas com distribuições de agentes.

→ Q8, Q9 Q8 pede as provas de ambas as propriedades. Q9 verifica se elas sobrevivem a uma mudança na utilidade sobre o lazer. A resposta é sim: como a utilidade é separável e a parte em $c$ é log, a Euler para $c$ é idêntica. A constância de $\hat{s}$ é uma propriedade da log-utilidade em consumo, não da forma do lazer.
A tensão central do modelo

As quatro seções desta parte II descrevem a mesma tensão de ângulos diferentes: os modelos macroeconômicos analiticamente tratáveis exigem hipóteses que impedem de gerar comportamento de crise. A escolha entre tractabilidade e realismo empírico é intencional, não um descuido. Saber onde cada hipótese está sendo feita, e o que ela exclui, é o que separa quem usa o modelo de quem entende o modelo.